Lendo Rubem Alves encontrei esse texto, alguém duvida que eu concordo plenamente? que saudades de vc meu nixo de paraiso, ainda que na minha casa mais ìntima, de vc sempre terei saudades.
As praias no inverno são mais bonitas. Vocês já viram uma vaca coberta de carrapatos? é algo de dar dó... Pois assim são as praias no verão: os milhares de pessoas são carrapatos que infestam as areais brancas. No inverno as praias são lisas, solitárias. quase ninguém. Parece que os homens têm medo da solidão. Gostam mesmo é do falatório, do agito, dom som... Prefiro a música do mar e do vento porque ela faz eco na minha alma. Não se houvem vozes humanas. Apenas o pio dos pássaros. E os pensamento vêm mansamente. Águas-vivas mortas - seria inútil jogá-las no mar novamente. Eram bonitas vivas, flutuando transparentes...Caranguejos de olhos saltados, andando de lado, fugindo para os buracos na areia. Parecem-se com certas pessoas que não conseguem andar para frente...Catar conchinhas...Eis ai uma deliciosa brincadeira para quem deseja ser escritor. A alma é um grande mar que vai depositando conchinhas no pensamento. é preciso guardá-las. Quem deseja ser escritor há de aprender com as crianças a catar conchinhas, pensamentos avuslsos como esses com que estou brincando, e guardá-los num caderninho. de Camus, o livro que mais amo - e por isso mesmo releio sempre - são os seus Cadernos da Juventude. Ali ele anotava o vôo dos pássaros, uma trovoada, uma nesga azul no céu de tempestade, uma citação que lhe vinha à cabeça, um diálogo entre marido e mulher. Nietzsche também colecionava conchinhas que ele transformava em aforismos. O problema com os aprendizes é que eles pensam que literatura se faz com coisas importantes. O que torna a conchinha importante não é o seu tamanho, mas o fato de que alguém a cata da areia e a mostra para quem não a viu: "Veja"... Literatura é mostrar conchinhas.
Li que Baudelaire escreveu: "esqueceram-se de dois direitos na Declaração dos Direitos do Homem: o de se contradizer e o de se ir embora". De acordo. Mas quero acrescentar outro: o direito ao silêncio. O silêncio é parte do meu espaço. Qualquer ruído que o perturbe é uma invasão da minha casa, uma agressão ao meu corpo.(Ostra feliz não faz pérola) Rubem Alves
“Embora a seca seque fontes e rios, e os campos fiquem esturricados, e o gado morra de sede e fome, e as queimadas devorem os pastos, e os machados transformem florestas verdes em desertos áridos,e os palácios estejam cheios de corruptos – A despeito disso minha alegria continuará a florir e farei poemas diante do Impossível.” (Habacuque 3:17-18)